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Epigenética, mito-hormose e meio ambiente: a relação com a longevidade!

Senilidade x longevidade

Nas últimas décadas, houve aumento da expectativa de vida da população, porém, ao mesmo tempo, há um maior número de pessoas doentes, principalmente com doenças crônicas, aquelas
que irão perdurar por muito tempo, impactando a qualidade de vida e aumentando a fragilidade do indivíduo com o decorrer dos anos.

Assim, é errôneo dizer que todas as pessoas envelhecem da mesma forma, apesar de o envelhecimento ser algo inerente ao ser humano. Hábitos de vida e alimentares inadequados, a
poluição, o estresse e diversos outros fatores, que, através da epigenética e nutrigenética, irão promover um estado de senilidade, em que se tem a aceleração da degeneração orgânica, com alterações celulares, fisiológicas e metabólicas, que se correlacionam com o desencadeamento de doenças crônicas. Dessa forma, pensar em longevidade saudável é estimular estratégias que
modulem os fatores genéticos, ambientais e comportamentais, assim, levando em consideração os mecanismos associados à promoção do envelhecimento saudável.

Mito-hormese – O segredo da longevidade está nas mitocôndrias?

Mito-hormese é um termo utilizado para definir a resposta biológica que algumas espécies reativas de oxigênio (EROs) geradas nas mitocôndrias promovem incrementando a saúde e a viabilidade dentro de uma célula, um tecido ou um organismo e que tem sido associado à promoção da longevidade. Um exemplo dos benefícios proporcionados por determinados EROs mitocondriais, em situações de baixo a moderado estresse fisiológico, é a ativação do Nrf2, o qual está associado com a resposta antioxidante e anti-inflamatória do organismo, assim como expressão de genes envolvidos com a biogênese mitocondrial. Kasai et al. (2020) apontam a restrição calórica e atividade física como potenciais fatores relacionados à geração de EROs mitocondriais que promovem efeitos benéficos à saúde.

Metilação do DNA – Qual impacto no envelhecimento?

Os relógios epigenéticos compreendem um conjunto de locais CpG cujos níveis de metilação do DNA medem a idade do indivíduo, sendo reconhecidos como importantes biomarcadores do envelhecimento biológico e da longevidade. A descoberta desses biomarcadores abre espaço para a busca por estratégias antiaging, assim como já observado em ratos, em que a restrição calórica promoveu desaceleração dos relógios epigenéticos, logo, revertendo ou prevenindo 20 a 40% das alterações relacionadas à idade, na metilação do DNA.

Sae-Lee et al. (2019) mostraram que a suplementação de metilfolato, vitamina B12 e flavonoides pode ser benéfica para a modulação da metilação do DNA dos relógios epigenéticos. Os autores ressaltam a importância da individualização, já que o estudo proporcionou resultados diferentes entre gêneros e perfis genéticos distintos.

E as alterações do meio ambiente: têm relação com a longevidade? O método atual de produção de alimentos, a poluição da água e do ar e o esgotamento dos recursos naturais são alguns exemplos dos malefícios que os humanos causam à natureza e que geram consequências sem precedentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 2030 e 2050, aproximadamente, 250 mil pessoas poderão morrer devido às mudanças climáticas, sendo que esse número tende a ser ainda pior, uma vez que as alterações climáticas podem prejudicar a disponibilidade de alimentos, assim, elevando para 529 mil mortes de adultos até 2050. Outro aspecto apresenta relação com o distanciamento do homem do meio ambiente natural,
levantando a “hipótese da biodiversidade”: quanto menos contato com a natureza, maior a perda da variedade de sua microbiota, levando à disbiose e, consequentemente, causando alterações imunológicas e o aumento do risco de doenças inflamatórias.

O impacto do estilo de vida na longevidade e nas estratégias para favorecer o envelhecimento saudável é abordado no Módulo 2 do ILPM, que reforçará a importância da modulação do sono, da amenização do estresse e da promoção de estratégias nutricionais por meio de palestras de profissionais pioneiros na área.

 

Referências

MARQUES, N.; LOSCHI, R. Fitoterapia Funcional Aplicada à Prática Esportiva. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda., 2017.
KASAI, S. et al. Regulation of Nrf2 by Mitochondrial Reactive Oxygen Species in Physiology and Pathology. Biomolecules, v.10, n.2, p.320, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32079324/> Acesso em: 17 set. de 2020
BEEL, C.G. et al. DNA methylation aging clocks: challenges and recommendations. Genome Biol., v.20, n.1, p.249, 2019. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31767039/> Acesso em 17 set. 2020.
SAE-LEE, C. et al. Dietary Intervention Modifies DNA Methylation Age Assessed by the Epigenetic Clock. Mol Nutr Food Res, v.62, n.23, 2019. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30350398/> Acesso em 17 set. 2020.
PLANETARY HEALTH ALLIANCE. Disponível em: <https://www.planetaryhealthalliance.org/planetary-health> Acesso em 17 set. 2020.
PASCHOAL, V. Nutrição Funcional & Alimentos Brasileiros: Um Caminho para a Longevidade. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda., 2019.

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